Lançamento: 1996
Gravadora: Warner Music
1
A Feira
A Feira
Marcelo Yuka, O Rappa
É dia de feira
Quarta-feira
Sexta-feira
Não importa a feira
É dia de feira
Quem quiser pode chegar
Vem maluco, vem madame
Vem Maurício, vem atriz
Prá comprar comigo
Tô vendendo ervas
Que curam e acalmam
Tô vendendo ervas
Que aliviam e temperam
Mas eu não sou autorizado
Quando o Rappa chega
Eu quase sempre escapo
Quem me fornece
É que ganha mais
A clientela é vasta
Eu sei
Porque os remédios normais
Nem sempre
Amenizam a pressão
Porque os remédios normais
Não amenizam
Pressão!
2
Miséria S.A.
Miséria S.A.
Pedro Luis
Senhoras e senhores estamos aqui
Pedindo uma ajuda por necessidade
Pois tenho irmão doente em casa
Qualquer trocadinho é bem recebido
Vou agradecendo antes de mais nada
Aqueles que não puderem contribuir
Deixamos também o nosso muito obrigado
Pela boa vontade e atenção dispensada
Vou agradecendo antes de mais nada
Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A.
Que acabou de chegar
Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A.
Que acabou de falar
Lhes deseja
3
Vapor Barato
Vapor Barato
Waly, Macalé
Sim!
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito
Mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Eu vou descendo
Por todas as ruas
E vou tomar aquele
Velho navio
E vou tomar aquele
Velho navio
Aquele velho navio
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
E não me importa
E não me importa não
A minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby
Sim!
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Quem sabe!
Mas eu preciso
Eu preciso esquecê-la
A minha grande
A minha pequena
A minha imensa obsessão
A minha Honey Baby!
Baby! Baby!
Honey Baby
4
Ilê Ayê (Que Bloco é Esse)
Ilê Ayê (Que Bloco é Esse?)
Paulinho Camafeu
Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh
Oh oh oh oh Soul Power
Oh oh oh oh Soul Power
Oh Oh Oh Oh
Essa história começa mais ou menos assim:
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Somo crioulo doido somos bem legal.
Temos cabelo duro somos black power.
Branco, se você soubesse o valor que o preto tem.
Tu tomava um banho de piche, branco e, ficava preto também.
E não te ensino a minha malandragem.
Nem tão pouco minha filosofia, porquê?
Quem dá luz a cego é bengala branca em Santa Luzia aí aí Meu Deus.
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Vai!
Essa história se resolve a bateria e vozSomo crioulo doido somo bem legal.
Temos cabelo duro somo black power.
5
Hey Joe
Hey Joe
Bill Roberts / Versão: Ivo Meirelles, Marcelo Yuka / Part. Especial: Marcelo D2
Hey Joe
Onde é que você vai com essa arma aí na mão?
Hey joe
Esse não é o atalho pra sair dessa condição
Dorme com tiro acorda ligado
Tiro que tiro trik-trak boom
Para todo lado
Meu irmão, é, só desse jeito
Consegui impor minha moral
Eu sei que sou caçado
E visto sempre como um animal
Sirene ligada os homi
Chegando trik-trak boom boom
Mas eu vou me mandando
Hey Joe
Assim você não curte o brilho
Intenso da manhã
Acorda com tiro dorme com tiro
Hey Joe
O que o teu filho vai pensar
Quando a fumaça baixar
Fumaça de fumo
Fogo de revólver
E é assim que eu faço,
Eu faço a minha história
Meu irmão, aqui estou por causa dele
E vou te dizer
Talvez eu não tenha vida
Mas é assim que vai ser
Armamento pesado
O corpo é fechado
Eu quero é mais ver
Mais vai ser difícil me deter
Hey Joe
Muitos castelos já caíram e você ta na mira
Tá na mira, tá na mira, tá na mira!
Hey joe
Muitos castelos já caíram e você tá na mira
Também Morre quem atira
Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem nos jornais
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
É que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício, sacrifício
Arte, honestidade e sacríficio
Também morre quem atira
6
Pescador de Ilusões
Pescador de Ilusões
Marcelo Yuka, O Rappa
Se meus joelhos
Não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé
Se por alguns
Segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol
Ainda assim estarei
Pronto pra comemorar
Se eu me tornar
Menos faminto
E curioso, curioso
O mar escuro
Trará o medo
Lado a lado
Com os corais
Mais coloridos...
Valeu a pena
Êh! Êh!
Sou pescador de ilusões
Se eu ousar catar
Na superfície
De qualquer manhã
As palavras
De um livro
Sem final! Sem final!
Final
Valeu a pena
Êh! Êh!
Sou pescador de ilusões
7
Uma Ajuda
Uma Ajuda
Marcelo Yuka, O Rappa
Como é bom te ver, é uma ajuda, ah, se é
Meus olhos não aguentavam mais admirar o comprovado
Encarar tantas verdades cruas é ver o céu pela metade
No teu abraço contente algo ficou diferente
Pude sentir a poeira das coisas caindo um pouco distante da gente
Como é bom te ver, é uma ajuda, ah, se é
Com você a lua foi mais que lua e a felicidade
Continua rápida mas agora é mais pura
Eu pude ouvir do muro fino entre a ciência e Deus
Eu pude ouvir, eu pude ouvir seu anúncio
Eu pude ouvir, o que ninguém foi capaz de prever
Eu pude ouvir, o que te faz me surpreender
Como é bom te ver, é uma ajuda, ah, se é
Meus olhos não aguentavam mais admirar o comprovado
Encarar tantas verdades cruas é ver o céu pela metade
No teu abraço contente algo ficou diferente
Pude sentir a poeira das coisas caindo um pouco distante da gente
O que te faz, o que te faz, o que te faz
O que te faz me surpreender
O que te faz, o que te faz, o que te faz
Como é bom te ver, é uma ajuda, ah, se é
8
Eu Quero Ver Gol
Eu Quero Ver Gol
Falcão, Xandão, O Rappa
Batuque, balanço, swing, praia e carnaval
Hoje no pé do morro tem ensaio geral
Eu quero ver gol eu quero ver gol
Não precisa ser de placa eu quero ver gol
Dois dias sem dormir chega domingo de manhã
Fica difícil passar sem um banho de mar
Tem a distância lotação, tumulto e então
Tô no favelinha, peguei fora da linha
Méier-copacabana é o bonde ideal,
No ponto final o rebu é total
Pular pela janela pro bonde é normal
Zuando no asfalto, zuando na areia
Quando chegar na água vou me acabar
Quando chegar na água jacaré o que vai dar porque
Eu quero ver gol, eu quero ver gol
Não precisa ser de placa, eu quero ver gol
Tem limão, tem mate, melancia fatiada
O globo sal e doce, dragão chinês
Tô no rango desde as 2 e a lombra bateu
O jogo é as 5 e eu sou mais o meu
Tô com a geral no bolso garanti o meu lugar
Vou torcer, vou xingar pro meu time ganhar porque...
Eu quero ver gol, eu quero ver gol
Não precisa ser de placa eu quero ver gol
9
Eu Não Sei Mentir Direito
Eu Não Sei Mentir Direito
Marcelo Yuka, O Rappa
No país do futebol
Eu nunca joguei bem
Poderia ser um sintoma
Mas meu jogo de cintura
Se manifestou de outro jeito
É que eu não sei mentir
Eu tento, eu tento
Mas muitas vezes
Tudo acaba em gargalhada
Eu me entrego no olhar
Gaguejo, espero pra ver se colou
É sempre fácil perceber
Que eu não sei mentir
É sempre fácil perceber
Que eu não sei mentir direito
Eu não sei mentir direito, não
Eu não sei mentir direito
Até que um dia uma pessoa me falou
Que a minha falta de malícia
Era o negativo de uma mesma foto
Avesso esperto da malandragem
Que se manifestava naturalmente difícil
Ele disse que sou confuso mas sou claro
E é por isso que eu cheguei inteiro até aqui
Justamente eu, justamente eu
Justamente eu que não sei mentir direito
Eu não sei mentir direito, não
Eu não sei mentir direito
10
Homem Bomba
Homem Bomba
Marcelo Yuka, O Rappa
Requebrando a consciência
Na fumaça das vaidades
Humilhadas envenena
As conclusões
Como meu sangue nunca vai
Nunca vai, vai virar vinho
No final do mês
Se acende o pavio
Então
Bum! Bum! Bum!
O Homem Bomba
Mas só com estrago
Vai dá pra ver
Vai dá e vai dá
E vai dá pra ver
Em meio a salmos
Alvos e contas
O Homem Bomba se esconde
Como um terrorista
Sem uma reivindicação verbal
Pronto pra explodir
Ao menor sinal
Então toca a buzina
Toca baile funk
Toca o bumbo na garganta
Do Maracanã, eh!
Incendiando um coração
Impregnado
Que não divide
Violência e diversão
Violência!
11
Tumulto
Tumulto
Marcelo Yuka, O Rappa
Eu sempre penso duas vezes antes de entrar
Mas tem certos momentos que atingem o inconsciente popular
Inconsciente popular
Tumulto, corra que o tumulto está formado
Vem cá, vem vê, vem cá, vem vê-ê
Que dentro do tumulto pode estar você
Panela batendo, toca fogo no pneu, põe barricada
Velhos, senhoras e crianças
A molecada pula, debocha e dá risada
Parece brincadeira, mas não é
A comunidade que não aguenta tanto tempo sem água
Tudo bem ele era o bicho
Mas saiu daqui inteiro
Até chegar no hospital
Levou três tiros no peito
E a galera daqui
Fez igual fizeram em Vigário Geral
Todo mundo pra rua aumentar o som
Pra causar algum tipo de repercussão
Eu sempre penso duas vezes antes de entrar
Mas tem certos momentos que atingem o inconsciente popular
Inconsciente popular
Quando o monstro vem chegando
Chegando, chegando, chegando
E ameaçando invadir o seu lar
(Parado aê no memo lugar se não se corrê eu atiro)
Tumulto tumulto tumulto tá tumultuado
12
Lei da Sobrevivência
Lei da Sobrevivência
Falcão, O Rappa
Que diferença faz
Ficar sentado e não olhar pra trás
Esquecer o passado
Olhar o futuro, e não se magoar
Agora é verdade
Deixou de ser novidade
As mãos estão machucadas
E o sangue a escorrer
Que nem palha de cana que corta o agricultor
Eu não quero ficar
Esperando
O tempo passar, passar
Quem colhe, quem planta
Também tem direito de comer
E comer bem
A comida melhor esta na cidade
Dentro do armazém
Estragando só pro povo ter
Consciência
Que a lei da sobrevivência
É votar e não comer
Eu não quero ficar
Esperando
O tempo passar, passar
13
Óia O Rappa
Óia O Rappa
Lenine, Sergio Natureza
Tremenda correria
Some com a mercadoria
Sujou, sujou, sujou rapaziada
É penalty, é penalty
Os home tão na área
Levaram, levaram
Levaram na mão grande
É grande, é grande, é grande a confusão
É um armário esse negão
Derruba o tabuleiro
Mais parece um caminhão
Derruba o tabuleiro
Que barra pesada
Os cara tão aí
E a tal turma do Rappa
Rapadura de engolir
Que barra pesada
Os cara tão aí
E a tal turma do Rappa
Vai ser dura de engolir
Batida, batida
Não tem colhé de chá
Batida, batida
Não dá nem pra trampá