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Introdução
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Reza Vela
Reza Vela
Marcos Lobato, Rodrigo Vale, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto colada no chão mas sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre, ninguém tá triste
Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire
Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire
Ta no céu não espere o tiro apenas
Mire
A cera foi tarrada
Não se admire
Tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas
Mire
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado
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Rodo Cotidiano
Rodo Cotidiano
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, L.Farias, Xandão, Marcelo Lobato
Ô Ô Ô Ô Ô, my brother
A ideia lá comia solta
Subia a manga amarrotada social
No calor alumínio, nem caneta nem papel
Uma ideia fugia
Era o rodo cotidiano
Espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma quentinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada
Ô Ô Ô Ô Ô my brother
Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some é lá no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal
Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
Da minhoca de metal, é!
Como um concorde apressado cheio de força
Que voa, voa mais pesado que o ar
E o avião, o avião, o avião do trabalhador
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Papo de Surdo e Mudo
Papo de Surdo e Mudo
Marcos Lobato, Lauro Farias, Xandão, Marcelo Lobato, Marcelo Yuka
O nascimento de uma alma é coisa demorada
Não é partido ou jazz em que se improvise
Não é casa moldada laje que suba fácil
A natureza da gente não tem disse me disse
No balcão do botequim a prosa tá parada
Não se fala da vida, não acontece nada
Se não faltasse trabalho no meio do barulho
O dia sobra e sobra muito
Papo de surdo e mudo
Ela não passa de onda paisagem fluminense
Parece dia de festa todo mundo presente
Se soubesse rimar faria um samba antigo
Onde reina a calma e todo mundo é amigo
O calor é sólido um pedaço eu sinto
Como um bafo e a cachaça
Queima bem forte vibrante e forte
Estaria maluco se não estivesse junto
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Bitterrusso Champagne
Bitterusso Champagne
Marcelo Falcão, Marcelo Lobato, Xandão, Lauro Farias
Um sonho
Um brinde com taça de vinho
Cheiro de asfalto no sangue
Um atalho com fuzil no caminho
No cardápio bitterusso champagne
Cordão de fé tirado do peito
E uma luz no fim do presídio
Mais um buraco cavado às pressas
Pra aliviar o suplício
A esperança no orifício, na revolução
Quanto mais tiram de nós, lá dentro corrupção
Os atentados civis viram showmícios
Dos que nunca estão no controle
E vão crescendo os vícios
Caindo por terra, caindo por terra (pela batalha)
Caindo por terra, caindo por terra (pelo discurso)
Sofrimento pra alguns é ser feliz
Pra quem nunca teve nada, um sonho é tudo que quis
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Mar de Gente
Mar de Gente
Marcelo Falcão, Marcelo Lobato, Xandão, Lauro Farias
Brindo a casa
Brindo a vida
Meus amores
Minha família
Atirei-me ao mar
Mar de gente onde eu mergulho sem receio
Mar de gente onde eu me sinto por inteiro
Eu acordo com uma ressaca guerra
Explode na cabeça
E eu me rendo
A um milagroso dia
Essa é a luz que eu preciso
Luz que ilumina cria e nos dá juízo
Voltar com a maré sem se distrair
Tristeza e pesar sem se entregar
Mal, mal vai passar, mal vou me abalar
Esperando verdades de criança
Um momento bom comum
Voltar com a maré sem se distrair
Navegar é preciso se não a rotina te cansa
Tristeza e pesar sem se entregar
Aiôa ê ê, Aiôa é!
Interesses na Babilônia
Viram nevoeiro
Poços em chamas
Tiram proveito
Passa, passa, passa
Passageiro
A arte ainda
Se mostra primeiro
Uma onda segue a outra
Assim o mar olha pro mundo
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O Salto
O Salto
Carlos Pombo, Marcelo Falcão, Lauro Farias, Marcelo Lobato, Xandão
As ondas de vaidade inundaram os vilarejos
E minha casa se foi como fome em banquete
Então sentei sobre as ruínas
E as dores como o ferro e a brasa e a pele
Ardiam como o fogo dos novos tempos
E regar as flores do deserto
E regar as flores com chuva de insetos
Mas se você vê em seu filho
Uma face sua e retinas de sorte
E um punhal reinar como o brilho do sol
O que farias tu
Se espatifaria ou viveria
O espírito santo
Aos jornais
Eu deixo meu sangue como capital
E às famílias o punhal
À corte eu deixo um sinal
E regar as flores do deserto
E regar as flores com chuva de insetos
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Linha Vermelha
Linha Vermelha
Marcelo Falcão, Lauro Farias, Marcelo Lobato, Xandão
Fecharam a Linha Vermelha
Fecharam a Linha Amarela
Fecharam Avenida Brasil
Grajaú - Jacarepaguá
E também o Anil
Alto da Boavista, Vista
Chinesa, Paineras
Mandaram esperar
Sentido Lagoa - Barra
Niemeyer
Tem que recomeçar
Tem que construir
Tem que avaliar
E ter hora pra agir
O tempo todo
Agir
Vou me benzer
Vou orar
Vou agradecer
Vou me rezar
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Pára Pregador
Para Pegador
Marcos Lobato, Lauro Farias, Xandão, Marcelo Lobato, Marcelo Falcão
Ele para pegador depois chuta matreiro
Campeão matador, bom de luta
Abaixou vacilou, ele passa
Se Liga, se necessário, machuca, humilha, traça
O seu laço é de corte,
Mas não aparta briga
A vida é quem escolhe
Quem vai pra dividida
Jogador, partideiro desenha a linha da bola
Faz o drible da vaca e muda o rumo da história
Sua finta é ciência pros otários é pica
Sem vergonha, malandro um abraço pra quem fica
Se o gol é alento pra ele é um trunfo
Ele já ta ligado e andando se tá todo mundo junto
No buraco de silêncio
Que precede o esporro
Àquele que o tempo e a hora e a hora é o mundo
Em que todo mundo é morro
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Óbvio (com Malena D'Alessio)
Óbvio
Xandão, Marcelo Lobato, Marcelo Falcão, Lauro Farias / Part. Especial: Malena D’Alessio
Saia do ócio
Não caia no óbvio
Não quero ter um sócio
Eu quero um antídoto
Pra viver melhor
Em nome da fé
Acertar a si mesmo
Como em transe
Em busca de algo superior
Praticando a maldade sem sentir
Como se estivesse certo
Em busca de um desafio
Poderoso por um instante
Cai o mito de quem está falando
Ignorância e a ganância
Se refugiam na dor
Natureza sofredora
Faca de dois gumes
Brasa espalhada que vira pó
Aquí viene la Malena rimando de prisa.
No hay tiempo que perder este mundo se descuartiza.
Con mis amigos O Rappa, haciendo resistencia,
Por un cambio en este mundo por un cambio de conciencia.
Vengo rapeando, rimando, cantando directo desde Argentina.
No soy Norteamericana soy de América Latina.
Me sobra adrenalina, para seguir luchando,
A todos los dormidos que se vayan despertando, porque:
Latinos conviviendo con la miseria.
En la periferia te mata la policía.
En nombre de democracia, gobierna tiranía.
Justificando el robo que empobrece a mayorías.
Cuando el pueblo se organiza, le meten la paliza,
El miedo que paraliza, la conciencia se esclaviza.
Se viene la llama del pueblo latino quemándote como la lava.
Mi boca te tira la lírica mi lengua solamente la dispara.
Son tiempos de cambios, de transformaciones,
Estamos en pie de lucha, tiempo de revoluciones.
No fiques distraído, no mires al costado, o serás tragado por este tornado.
Despiertan las conciencias en los barrios los dormidos.
Llegó la hora de los pueblos y los oprimidos.
Está duro el camino, pero es nuestro el destino.
¡Con más fuerza que nunca acá venimos los latinos!
Não existe fronteira de língua
Existe coração
Latino, nêgo
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Maneiras (com Zeca Pagodinho)
Maneiras
Sylvio da Vila / Part. Especial: Zeca Pagodinho
Salve! Salve! Xerém
Toda rapaziada
Zeca Pagodinho
O Rappa pede bença!
Epa, eu é que to abençoado
De ser convidado pra essa parada manera
E não vamo deixar cair, hein
É “nóis” mesmo, vamo que vamo, é nóis na pista
Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Eu pago tudo o que eu consumo
Com suor de meu emprego
Confusão eu não arrumo
Mas também não peço arrêgo
Eu um dia me aprumo
Eu tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego (Com quem?)
Com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego
É o homem e a mulher
O meu linguajar é nato
Eu não estou falando grego
Tenho amores e amigos de fato
Nos lugares onde eu chego
-Diz Falcão!
Eu estou descontraído (Porque?)
Não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado
Pra falar da vida alheia
Mas digo, Zeca, sinceramente
Na vida a coisa mais feia
É gente que vive chorando
De barriga cheia (Mas é gente!)
É gente que vive chorando
De barriga cheia (Oh! É gente!)
Vamo que vamo!
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O Novo Já Nasce Velho
O Novo Já Nasce Velho
Xandão, Marcelo Lobato, Marcelo Falcão, Lauro Farias
Enquanto a voz amena
Fala de equilíbrio
Um rosto é só um rosto
E quem tá falando
Parece uma questão divina
E a TV tira a atenção
Na hora do culto hardcore
Pois a miséria é um insulto
Motiva a fé do mundo
E o defunto não deve enjeitar a cova
Humilde, desumano
Não vou duvidar do passado
Como se já não existissem velas para acender
Mas que diferença faz
Se nossas mães não choram mais
E de meu pai não vejo sorriso
Se os velhos não podem
Criar suas rugas
O novo já nasce velho
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Deus lhe Pague
Deus Lhe Pague
Chico Buarque
Por esse pão pra comer
Por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer
E a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar
Por me deixar existir
Pelo prazer de chorar
E pelo "estamos aí"
Pela piada no bar
E o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar
E um samba pra distrair
Deus lhe pague
Por essa praia, essa saia
Pelas mulheres daqui
O amor mal feito depressa
Fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo
Novela, missa, jornal e gibi
Pela cachaça, desgraça
Que a gente tem que engolir
Pela fumaça desgraça
Que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes
Que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Por mais um dia, agonia
Pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes
Pela a cidade a zunir
Pelo grito demente
Que nos ajuda a fugir
Pela mulher carpideira
Pra nos louvar e cuspir
E pelas vermes-bicheiras
A nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira
Que enfim vai nos redimir
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O Salto II