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Tribunal de Rua
Tribunal de Rua
Letra: Marcelo Yuka / O Rappa e Negralha
A viatura foi chegando devagar
E de repente, de repente resolveu me parar
Um dos caras saiu de lá de dentro
Já dizendo, ai compadre, cê perdeu
Se eu tiver que procurar cê tá fodido
Acho melhor cê ir deixando esse flagrante comigo
No início eram três, depois vieram mais quatro
Agora eram sete os samurais da extorsão
Vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão
De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição
E eu ainda tentei argumentar
Mas, tapa na cara pra me desmoralizar
Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda
Porque os cavalos corredores ainda estão na banca
Nesta cruzada de noite, encruzilhada
Arriscando a palavra democrata
Como um santo graal
Na mão errada dos hômi
Carregada em devoção
O cano do fuzil
Refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Nem que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito
(Mas nesta hora) só tem (sangue quente)
Quem tem (costa quente, quente, quente)
Só costa quente, pois nem sempre é inteligente
(Peitar) peitar, peitar (um fardado alucinado)
Que te agride e ofende (pra te levar, levar, levar)
Pra te levar alguns trocados (diz aê)
Pra te levar, levar, levar
Pra te levar alguns trocados (segue a mão)
Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua
Nesse tribunal
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Me Deixa
Me Deixa
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Me deixa que hoje eu tô de bobeira
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Me deixa, deixa, deixa
Que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
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Cristo e Oxalá
Cristo e Oxalá
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Oxalá se mostrou assim tão grande
Como um espelho colorido
Pra mostrar pro próprio Cristo como ele era mulato
Já que Deus é uma espécie de mulato
Salve, Em nome de qualquer Deus, Salve
Se eu me salvei, se eu me salvei
Foi pela fé, minha fé minha cultura
É meu jogo de cintura
O Cristo partiu do alto do morro que nós somos
Rodeados de helicópteros que caçavam marginais
A mostrar mais uma vez o seu lado herói
Se transformando em Oxalá, vice-versa tanto faz
A rodar todo branco na mais linda procissão
Abençoando a fuga numa nova direção
Minha fé, é meu jogo de cintura, minha fé
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O que Sobrou do Céu
O Que Sobrou Do Céu
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Faltou luz mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho
Refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia
O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal
O chá pra curar essa azia
Um bom chá pra curar essa azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina
Pra gente ver
Por entre prédios e nós
Pra gente ver
O que sobrou do céu
5
Se Não Avisar o Bicho Pega
Se Não Avisar O Bicho Pega
Jorge Carioca, Marcinho, Marquinhos PQD
O sangue bom falou pra falar pra você
Se der mole pros “home”, amizade, o bicho pega (pega, pega!)
O sangue bom falou pra falar pra você, amizade, amizade, o bicho pega! (pega, pega!)
O malandro ganhou monareta, uma caixa de fogos e um carretel de linha
Também uma pipa, também uma pipa
Que ele botou no alto pra avisar a massa que os cana já vinha
E a moçada que não dá mancada sentiu o aviso e não vacilou
Pois toda favela tem sua passagem e sem caguetagem jamais alguém dançou
Dançou, dançou, jamais alguém dançou
Vai ter pipa, foguete e morteiro
Pois lá na favela o olheiro é maneiro, esperto, chinfreiro e não fica às cegas
Até mulher de bandido na hora da dura segura a peteca e nega,
Segura a peteca e nega
E é por isso que o seu compromisso é não ficar omisso e prestar atenção
Pois se der mole no bagulho vai entrar no rodo e não tem perdão
Vai ter pipa, foguete e morteiro, muita bala e morteiro
Vai ter pipa, foguete e morteiro
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Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo
As vezes eu falo com a vida
As vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?
As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo
Procurando novas drogas de aluguel
Nesse vídeo coagido
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
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Lado B Lado A
Lado B Lado A
Letra: Marcelo Yuka e Marcelo Falcão / Música: O Rappa
Se eles são Exu
Eu sou Iemanjá
Se eles matam o bicho
Eu tomo banho de mar
Com o corpo fechado
Ninguém vai me pegar
Lado A lado B
Lado B lado A
No bê-á-bá da chapa quente
Eu sou mais Jorge Ben
Tocando bem alto
No meu walkman
Esperando o carnaval
Do ano que vem
Não sei se o ano
Vai ser do mal
Ou se vai ser do bem
Se vai ser do bem
O que te guarda a lei dos homens
O que me guarda a lei de Deus
Não abro mão da mitologia negra
Para dizer que
Eu não pareço com você
Há um despacho
Na esquina pro futuro
Com oferendas
Carimbadas todo dia
E eu vou chegar
Pedir e agradecer
Pois a vitória de um homem
As vezes se esconde
Num gesto forte
Que só ele pode ver
Eu sou guerreiro
Sou trabalhador
E todo dia vou encarar
Com fé em Deus
E na minha batalha
Espero estar bem longe
Quando o rodo passar!
Espero estar bem longe
Quando tudo isso passar
8
Favela
Favela
Letra: Marcelo Falcão e Xandão / Música: O Rappa
Vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela
Vá dizer pra ela que o Rio de Janeiro todo é uma favela
Senhor, Candeia, Noel, Cartola, Adoniram
Vá dizer pra ela que o Rio de Janeiro todo é uma favela
Vá dizer pra ela que o som que eu faço vem lá da favela
Me vem na memória as rodas de samba
E o batuque na palma da mão, da mão
Roda de samba de bamba
Velha guarda, portela
Velha guarda, mangueira
Viola, jamelão
Vá dizer pra ela que o curral do samba é a passarela
Vá dizer pra ela que o Rio de Janeiro todo é uma favela
De Madureira à Sepetiba, passando por Santa Cruz
Bate bola de bixiga de boi
Bate bola de sebo e bixiga de boi
É nos terreiros do samba
Que a molecada cresce e ama sua escola
E faz a mão e o pé sangrar
Quando os anos passam
Quando ele se emociona
De ver sua escola ganhar
9
Homem Amarelo
Homem Amarelo
Letra e Música: O Rappa
O Homem Amarelo do Samba do Morro
Do Hip Hop do Santa Marta
Agarraram um louro na descida da ladeira
Malandro da baixada em terra estrangeira
A salsa cubana do negro oriental
Já é ouvida na central
Que pega o buzum, que fala outra língua
Reencontra subúrbios e esquinas
É o comando em mesa de vidro
Que não enumera o bandido
Eu e minha tribo
Brincando nos terreiros
Eu e minha tribo
Nos terreiros do mundo
Só misturando pra ver no que vai dar
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Nó de Fumaça
Nó de Fumaça
Letra: Marcos Lobato / Música: O Rappa
Saiu de banda serpenteando
Como peixe ensaboado
Nem o Rio engarrafado
Foi capaz de detê-lo
Nas esquinas nas favelas
Não se fala de outro assunto
Na muvuca da encrenca
Tem inocente tem culpado
E lavadeira não têm trouxa
Fumo novo é batizado
Filé de osso cara inchada
Quem conhece sabe que é do santo
Faca sem ponta, segura a onda da roubada
Não se fala de outro assunto
Palmeando as meninas
Que estreavam a vida adulta
Não sobrou uma na área
Tratamento de puta
Herói de várzea, tupamaro
De onde veio, quem pariu
Aquele homem de metro e meio
Nó de fumaça que saiu
E com silêncio do santo preto
Em igreja errada porta entrou
E de bobeira, sentou curvado
E onde o cara caiu
A calçada se fez de cama
Em cima de um palmo de terra
Não nasce mato
Não nasce grama
Pintou o sete do terror
E fez questão de ser do mal
Consciente malandro
Sangue ruim, riff e coisa e tal
Não se fala de outro assunto
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A Todas As Comunidades do Engenho Novo
Todas as Comunidades do Engenho Novo
Letra: Marcelo Falcão / Música: O Rappa
Eu moro na comunidade do Engenho Novo
À todas as comunidades do Engenho Novo
Tenho referencial para chegar no
Bairro então
Souza Barros 24 e a Marechal Rondon
Tem Buraco do Padre para quem
Quiser passar
Tem igreja Conceição para quem
Quiser rezar
Em todo lugar pela-saco tem
No Engenho não é diferente
Tem pela-saco também
Pra não parecer que é marra minha,
Meu irmão no Engenho tem gente fina
Gatinha e sangue bom
Todo mundo diz que o funqueiro
É um animal
Pela-saco falador tem tudo que
Tomar um pau
Quando chega a tarde a sensação
É o futebol
E a noite com a gatinha
Curtir um baile na moral
É, a todos os bailes eu quero agradecer
Tem Sargento, Magnatas
tem também o Garnier
Céu Azul, Matriz, Rato Molhado, Jacaré
São João, Mangueira, Sampaio, fiquei na fé
Cabeça feita em casa ou em qualquer lugar
Pra quem gosta do assunto vamos
Logo shapear
Quando chega a tarde
No Parque Santos Dumont
Pra quem não conhece o Engenho
Tá convidado sangue bom
Partideiro que é partideiro não
Pode vacilar
Quando entra no samba tem
Que versar tem que versar
Partideiro que é partideiro não
Pode vacilar
Quando entra no samba
Não pode ficar de blá-blá-blá
Muitas pessoas vão se
Influenciar
E vão falar pra você
Não aparecer mais por lá
Só que a questão
Camarada sangue bom
É tudo sem interesse
É tudo tudo coração
Quem fuma, quem fuma,
Quem bebe, quem cheira
Tem que chegar no sapatinho
E não ficar de bobeira
Porque quem está lá em cima
Não tá de vacilação
Está de olho no movimento
Está de olho na situação
Quem está lá em cima
Não tá de bobeira não
Tá ligado no movimento
Tá ligado na situação
Morteiro na mão,
Estrondo no ar
Avisando que a polícia
Qualquer hora vai chegar
O morro amado
Ao mesmo tempo temido
Do comandado por irmãos
Comandado por amigo
Só que a questão
Camarada sangue bom
É tudo sem interesse
É tudo coração
Como já dizia Cartola
As rosas não falam
Se eles choram
Por que é que eu vou chorar
Eu vou me emocionar
Quando a minha escola
Na avenida entrar
Mostrando ao mundo
O que eu quero ver
Como já dizia Renatinho,
Valtinho, Cotoco
É mangueira verdadeira
Área de lazer
Morteiro na mão,
Estrondo no ar
Avisando que a polícia
Qualquer hora vai chegar
Quarta e sexta-feira
Rola o futebol
O morro desce em peso
Pra jogar na moral
A regra aqui é uma falta
Não existe
Se não gostou vacilão
Fica de fora e assiste
Eu moro na comunidade do Engenho Novo,
À todas as comunidades do Engenho Novo
É, eu moro lá, eu moro lá
Engenho Novo, Engenho Novo
Paz!
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Na Palma da Mão
Na Palma da Mão
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
O negro pisou no topo do morro
Pegou sua viola e tocou pro povo
Pro povo do crime
Que foi chegando e colocando
As suas armas devagar no chão
O mesmo chão que guarda o sangue
O mesmo chão de correrias
O mesmo chão de tantas famílias
Que hoje batucam o mesmo som
Na palma da mão pra aliviar
O negro brilhou e ajudou
Aquelas almas distorcidas pela guerra
Só com a viola, só com a voz
Só com a viola suas ideias
O negro falou e falou alto
Inspirou uma calma
E misteriosamente alegre é
Sufocando o pior dos bandidos
E em troca deixou lágrimas
Nos olhos do artista
Lágrimas, lágrimas
Na palma da mão pra aliviar
Hoje mesmo, hoje
Quando o barulho dos tiros sinalizam
O que acontece lá
Uma comunicação silenciosa
Se faz com a memória das armas no chão
Por algum momento
Ganhando outra missão
Na palma da mão pra aliviar