1
Intro
2
Tumulto
Tumulto
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Eu sempre penso duas vezes antes de entrar
Mas tem certos momentos que atingem o inconsciente popular
Inconsciente popular
Tumulto, corra que o tumulto está formado
Vem cá, vem vê, vem cá, vem vê-ê
Que dentro do tumulto pode estar você
Panela batendo, toca fogo no pneu, põe barricada
Velhos, senhoras e crianças
A molecada pula, debocha e dá risada
Parece brincadeira, mas não é
A comunidade que não aguenta tanto tempo sem água
Tudo bem ele era o bicho
Mas saiu daqui inteiro
Até chegar no hospital
Levou três tiros no peito
E a galera daqui
Fez igual fizeram em Vigário Geral
Todo mundo pra rua aumentar o som
Pra causar algum tipo de repercussão
Eu sempre penso duas vezes antes de entrar
Mas tem certos momentos que atingem o inconsciente popular
Inconsciente popular
Quando o monstro vem chegando
Chegando, chegando, chegando
E ameaçando invadir o seu lar
(Parado aê no memo lugar se não se corrê eu atiro)
Tumulto tumulto tumulto tá tumultuado
Tá tumultuado!
3
Miséria S.A.
Miséria S.A.
Pedro Luis
Senhoras e senhores estamos aqui
Pedindo uma ajuda por necessidade
Pois tenho irmão doente em casa
Qualquer trocadinho é bem recebido
Vou agradecendo antes de mais nada
Aqueles que não puderem contribuir
Deixamos também o nosso muito obrigado
Pela boa vontade e atenção dispensada
Vou agradecendo antes de mais nada
Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A.
Que acabou de chegar
Bom dia passageiros
É o que lhes deseja
A miséria S.A.
Que acabou de falar
Lhes deseja , lhes deseja
4
Todo Camburão tem um Pouco de Navio Negreiro
Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? Qual é negão?
O que que tá pegando?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a aids possui hierarquia
Na África a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
É mole de ver
Que todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
5
Homem Amarelo
Homem Amarelo
Letra e Música: O Rappa
O Homem Amarelo do Samba do Morro
Do Hip Hop do Santa Marta
Agarraram um louro na descida da ladeira
Malandro da baixada em terra estrangeira
A salsa cubana do negro oriental
Já é ouvida na central
Que pega o buzum, que fala outra língua
Reencontra subúrbios e esquinas
É o comando em mesa de vidro
Que não enumera o bandido
Eu e minha tribo
Brincando nos terreiros
Eu e minha tribo
Nos terreiros do mundo
Só misturando pra ver no que vai dar
6
Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo
As vezes eu falo com a vida
As vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?
As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo
Procurando novas drogas de aluguel
Nesse vídeo coagido
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
7
Hey Joe
Hey Joe
Bill Roberts / Versão: Ivo Meirelles, Marcelo Yuka
Hey Joe
Onde é que você vai com essa arma aí na mão?
Hey joe
Esse não é o atalho pra sair dessa condição
Dorme com tiro acorda ligado
Tiro que tiro trik-trak boom
Para todo lado
Meu irmão, é, só desse jeito
Consegui impor minha moral
Eu sei que sou caçado
E visto sempre como um animal
Sirene ligada os homi
Chegando trik-trak boom boom
Mas eu vou me mandando
Hey Joe
Assim você não curte o brilho
Intenso da manhã
Acorda com tiro dorme com tiro
Hey Joe
O que o teu filho vai pensar
Quando a fumaça baixar
Fumaça de fumo
Fogo de revólver
E é assim que eu faço
Eu faço a minha história
Meu irmão, aqui estou por causa dele
E vou te dizer
Talvez eu não tenha vida
Mas é assim que vai ser
Armamento pesado
O corpo é fechado
Eu quero é mais ver
Mais vai ser difícil me deter
Hey Joe
Muitos castelos já caíram e você tá na mira
Tá na mira, tá na mira, tá na mira!
Também Morre quem atira
Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem nos jornais
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
É que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício, sacrifício
Arte, honestidade e sacrifício
Também Morre quem atira
8
Nó de Fumaça
Nó de Fumaça
Letra: Marcos Lobato / Música: O Rappa
Saiu de banda serpenteando
Como peixe ensaboado
Nem o Rio engarrafado
Foi capaz de detê-lo
Nas esquinas nas favelas
Não se fala de outro assunto
Na muvuca da encrenca
Tem inocente tem culpado
E lavadeira não têm trouxa
Fumo novo é batizado
Filé de osso cara inchada
Quem conhece sabe que é do santo
Faca sem ponta, segura a onda da roubada
Não se fala de outro assunto
Palmeando as meninas
Que estreavam a vida adulta
Não sobrou uma na área
Tratamento de puta
Herói de várzea, tupamaro
De onde veio, quem pariu
Aquele homem de metro e meio
Nó de fumaça que saiu
E com silêncio do santo preto
Em igreja errada porta entrou
E de bobeira, sentou curvado
E onde o cara caiu
A calçada se fez de cama
Em cima de um palmo de terra
Não nasce mato
Não nasce grama
Pintou o sete do terror
E fez questão de ser do mal
Consciente malandro
Sangue ruim, riff e coisa e tal
Não se fala de outro assunto
9
O Homem Bomba
O Homem Bomba
Letra: Marcelo Yuka /Música: O Rappa
Requebrando a consciência
Na fumaça das vaidades
Humilhadas envenena
As conclusões
Como meu sangue nunca vai
Nunca vai, vai virar vinho
No final do mês
Se acende o pavio
Então
Bum! Bum! Bum!
O Homem Bomba
Ataque bom!
Mas só com estrago
Vai dá pra ver
Vai dá e vai dá
E vai dá pra ver
Em meio a salmos
Alvos e contas
O Homem Bomba se esconde
Como um terrorista
Sem uma reivindicação verbal
Pronto pra explodir
Ao menor sinal
Então toca a buzina
Toca baile funk
Toca o bumbo na garganta
Do Maracanã
Incendiando um coração
Impregnado
Que não divide
Violência e diversão
Violência!
10
Me Deixa
Me Deixa
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
11
A Feira
A Feira
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
É dia de feira
Quarta-feira
Sexta-feira
Não importa a feira
É dia de feira
Quem quiser pode chegar
Vem maluco, vem madame
Vem Maurício, vem atriz
Prá comprar comigo
Tô vendendo ervas
Que curam e acalmam
Tô vendendo ervas
Que aliviam e temperam
Mas eu não sou autorizado
Quando o Rappa chega
Eu quase sempre escapo
Quem me fornece
É que ganha mais
A clientela é vasta
Eu sei
Porque os remédios normais
Nem sempre
Amenizam a pressão
Porque os remédios normais
Não amenizam
Pressão
12
Ninguém Regula a América
Ninguém regula a América
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa / Sepultura
Ninguém regula a América
Nobody fucks with America
Satélites de cima
Vigiando todos os atos de rebeldia
MST observado pela CIA
Um avião cara-de-pau
Preso na China
Painel de controle
Cidades sem culpa
Na sensação do protocolo de Kioto
Carbonizado em plena chuva
De armas exportadas
Sangrando no dólar
O dólar dos outros
Coagulado e globalizado
Nas veias abertas
De outra dívida externa
Satellites from above
Controling all the rebel act
Nosy plane cought in China
Pushing doors in Colombia
Carbonized under the rain
Globalized bleeding the dollar
Under the Wall Street sky
Risking everybody's lives
Ninguém regula a América
Nobody fucks with America
Forçando a porta da Colombia
Com uma hipocrisia que vicia
O intelecto de Brasília
E outras capitais
Estreladas deixando a bandeira
De fardas
Que segue na arrogância
Independente de quem for
O W. Bush de plantão
Que engatilha um novo missel sem limites
Sobre o céu de Wall Street
Arriscando a todos
Com o medo de perder
Mais uma guerra
Ninguém regula a América
Nobody fucks with America
13
Milagre
Milagre
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Ao redor dos maiores prédios que eu já vi,
No final de um dia cheio de engolir
Cada um tem seus milagres pra insistir
Cada um tem seus milagres, pra fugir pra não ouvir
Cada um tem seus milagres
O som dos dias que distanciam
A nossa melhor metade
Que vai ficando de lado
Pelo medo de não dormir
Que vai ficando de lado
Sem esquecermos das pequenas coisas
Que nos protegem, que nos protegem porque
Cada um tem seus milagres, pra fugir
Cada um tem seus milagres, pra insisti pra não ouvir
Cada um tem seus milagres
14
Instinto Coletivo
Instinto Coletivo
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Quadras e quadras e quadras e quadras
Cirandas, cirandas, cirandas "b boys" e capoeiristas
Velhos sonhos, novos nomes
Velhos sonhos, novos nomes na avenida
O folclore é hardcore, e ataca o nosso momento
Abre a roda quem tá fora e quem tá dentro participa
O folclore é hardcore, instiga alegria
Em respeito do homem ao tambor
Do ritmo que domina com louvor
Do fato de estarmos juntos sem pavor
Pois o instinto, o instinto é coletivo meu senhor
Eu represento o instinto coletivo
É domingo e só temos uma opção
As caixas são grandes
O som tem que ser alto
Pra tocar a multidão
Essa dança não faz seleção
Pro homem do samba
O homem do funk
O homem do branga
Baile da Furacão, Folia de Reis
Kuarup e o Boi Mamão
Nossa identidade é nosso lar
E dentro de uma área de exclusão
Comandante Marcos, Afrika Bambaata padre Cícero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo meu irmão
Eu represento o instinto coletivo
O Rappa from Brasil
Third world posse on the Rio
O Rappa from Brasil
Essa dança não faz seleção
Para o homem do samba, para o homem do funk, para o homem do bangra
Baile da furacão, folia de reis Kuarup e o boi Mamão
Nossa identidade é nosso lar
Dentro dessa área, dessa área de exclusão
Comandante Marcos Afrika Bambaata Padre Cícero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo meu irmão
When you see my passaport number
You don't see my culture
You don't see me
15
R.A.M.
R.A.M.
Letra: Marcelo Yuka / Música: O Rappa
Nação não é bandeira
Nação é união
Família não é sangue
Família é sintonia
Novos satélites nos aproximam
Mais e mais
Então a gente se vê nos telejornais
Agora mesmo pedras estão voando
Na direção certa
Pedras na direção certa
Confie nisso véio
Ritmos, ações e manifestos
Atirados em passeatas
Ou em casos solitários
Como batuques diferentes
Numa mesma pulsação
Que não vão mudar o mundo
Mas fazem diferença
Fazem nossa diferença
Ao fascismo que cresce
Com a crise
Fazem nossa diferença
Na maneira de encarar
Cidadania, ruas e microfones
Confie nisso véio
Ritmos, ações e manifestos