Lançamento: 2010
Gravadora: Warner Music
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Intro: DJ Negralha
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Meu Mundo é o Barro
Meu Mundo é o Barro
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Moço, peço licença
Eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem passe, eu sou novo aqui
Não tenho trabalho, nem classe, eu sou novo aqui
Eu tenho fé
Que um dia vai ouvir falar de um cara que era só um Zé
Não é noticiário de jornal, não é
Sou quase um cara
Não tenho cor, nem padrinho
Nasci no mundo, sou sozinho
Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono
Tentei ser crente
Mas meu cristo é diferente
A sombra dele é sem cruz
No meio daquela luz
E eu voltei pro mundo aqui embaixo
Minha vida corre plana
Comecei errado, mas hoje eu tô ciente
Tô tentando se possível zerar do começo e repetir o play
Não me escoro em outro e nem cachaça
O que fiz tinha muita procedência
Eu me seguro em minha palavra
Em minha mão, em minha lavra
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Reza Vela
Reza Vela
Marcos Lobato, Rodrigo Vale, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto colada no chão mas sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente
A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre, ninguém tá triste
Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire
Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire
Ta no céu não espere o tiro apenas
Mire
A cera foi tarrada
Não se admire
Tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas
Mire
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado
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Lado B Lado A
Lado B Lado A
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias
Se eles são Exu
Eu sou Iemanjá
Se eles matam o bicho
Eu tomo banho de mar
Com o corpo fechado
Ninguém vai me pegar
Lado A lado B
Lado B lado A
No bê abá da chapa quente
Eu sou mais Jorge Ben
Tocando bem alto
No meu walkman
Esperando o carnaval
Do ano que vem
Não sei se o ano
Vai ser do mal
Ou se vai ser do bem
O que te guarda a lei dos homens
O que me guarda a lei de Deus
Não abro mão da mitologia negra
Para dizer que
Eu não pareço com você
Há um despacho
Na esquina pro futuro
Com oferendas
Carimbadas todo dia
E eu vou chegar
Pedir e agradecer
Pois a vitória de um homem
As vezes se esconde
Num gesto forte
Que só ele pode ver
Eu sou guerreiro
Sou trabalhador
E todo dia vou encarar
Com fé em Deus
E na minha batalha
Espero estar bem longe
Quando tudo isso passar
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Hóstia
Hóstia
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Os que sobravam encostados no balcão
Ali permaneciam nos trabalhos
Em meio ao ar parado
Não se ouve tiros, não há estardalhaço
Bicho-gente, bicho-grilo, quero que se dane
Olhos de injeção
Gatos humanos espreitam
Choram mimados meu rango
Não dividiria com qualquer animal
Meu prato de domingo a carne assada
É o principal
Mesmo um mendigo elegante da rua
Prato bonito ou feio minha caba na minha angústia
Meu escudo meu escudo é minha hóstia
Sentia proteção infantil
Mas permanecia assustado
Acuado em situação-hiena
Não sou carne barata
Varejo imaginado pedaço do atacado
Que pena
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Homem Amarelo
Homem Amarelo
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias
O Homem Amarelo do Samba do Morro
Do Hip Hop do Santa Marta
Agarraram um louro na descida da ladeira
Malandro da baixada em terra estrangeira
A salsa cubana do negro oriental
Já é ouvida na central
Que pega o buzum, que fala outra língua
Reencontra subúrbios e esquinas
É o comando em mesa de vidro
Que não enumera o bandido
Eu e minha tribo
Brincando nos terreiros
Eu e minha tribo
Nos terreiros do mundo
Só misturando pra ver no que vai dar
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Mar de Gente
Mar de Gente
Marcelo Falcão, Marcelo Lobato, Xandão, Falcão, Marcos Lobato
Brindo a casa
Brindo a vida
Meus amores
Minha família
Atirei-me ao mar
Mar de gente onde eu mergulho sem receio
Mar de gente onde eu me sinto por inteiro
Eu acordo com uma ressaca guerra
Explode na cabeça
E eu me rendo
A um milagroso dia
Essa é a luz que eu preciso
Luz que ilumina cria e nos dá juízo
Voltar com a maré sem se distrair
Tristeza e pesar sem se entregar
Mal, mal vai passar, mal vou me abalar
Esperando verdades de criança
Um momento bom comum
Voltar com a maré sem se distrair
Navegar é preciso se não a rotina te cansa
Tristeza e pesar sem se entregar
Interesses na Babilônia
Viram nevoeiro
Poços em chamas
Tiram proveito
Passa, passa, passa
Passageiro
A arte ainda
Se mostra primeiro
Uma onda segue a outra
Assim o mar olha pro mundo
8
Documento
Documento
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Não se aplica a regra
Não tem arrego
Não tem explicação
Passei do limite, do procedimento
Não tem explicação
Não procurei veio a mim
Não dói de noite a fumaça
O meu jornal, era só meu
O meu jornal era traça
Me alimentava de explosão
Queria ver fogo e paixão
Novos, renomados, juvenis
Queria ver a planta,
E o projeto matriz
Carta fora do tempo
Nada de documento
Se era bom ou ruim
Tava aquém de mim
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Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)
Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo
As vezes eu falo com a vida
As vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?
As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo
Procurando novas drogas de aluguel
Nesse vídeo coagido
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
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Monstro Invisível
Monsto Invisível
Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Monstro invisível que comanda a horda
Arrasando tudo o que é de praxe
Eu tô laje acima, o cerol que traz a vida pra baixo
Brilhante idéia de uma cabeça nervosa
Grafitando um outro muro de raiva
Eles já sabiam, mas deixaram a sina guiar a sorte
Vejo a minha história com a sua comungar
Vejo a história, ela comungar
Ouço o lado e sujo, cria do descaso
Alimentando folhas em branco e preto
Outra epidemia desanima quem convive com medo
Botões e atalhos amplificam a distância
E a preguiça de estar lado a lado veste a armadura
Esse é o poder solitário
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Hey Joe
Hey Joe
Versão: Ivo Meirelles, Marcelo Yuka
Hey Joe
Onde é que você vai com essa arma aí na mão?
Hey joe
Esse não é o atalho pra sair dessa condição
Dorme com tiro acorda ligado
Tiro que tiro trik-trak boom
Para todo lado
Meu irmão, é, só desse jeito
Consegui impor minha moral
Eu sei que sou caçado
E visto sempre como um animal
Sirene ligada os homi
Chegando trik-trak boom boom
Mas eu vou me mandando
Hey Joe
Assim você não curte o brilho
Intenso da manhã
Acorda com tiro dorme com tiro
Hey Joe
O que o teu filho vai pensar
Quando a fumaça baixar
Fumaça de fumo
Fogo de revólver
E é assim que eu faço,
Eu faço a minha história
Meu irmão, aqui estou por causa dele
E vou te dizer
Talvez eu não tenha vida
Mas é assim que vai ser
Armamento pesado
O corpo é fechado
Eu quero é mais ver
Mais vai ser difícil me deter
Hey Joe
Muitos castelos já caíram e você ta na mira
Tá na mira, tá na mira, tá na mira!
Hey joe
Muitos castelos já caíram e você tá na mira
Também Morre quem atira
Menos de 5% dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem nos jornais
Tapando a cara com trapos
Com uma uzi na mão
Parecendo árabes árabes árabes do caos.
Sinto muito cumpadi
Mas é burrice pensar
Que esses caras
É que são os donos da biografia
Já que a grande maioria
Daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício, sacrifício
Arte, honestidade e sacríficio
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Maneiras
Maneiras
Sylvio da Silva
Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo o que eu consumo
Com suor de meu emprego
Confusão eu não arrumo
Mas também não peço arrêgo
Eu um dia me aprumo
Eu tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego
Com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego
É o homem e a mulher
O meu linguajar é nato
Eu não estou falando grego
Amores e amigos de fato
Nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído
Não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado
Pra falar da vida alheia
Mas digo sinceramente
Na vida a coisa mais feia
É gente que vive chorando
De barriga cheia
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Tribunal de Rua
Tribunal de Rua
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias, Negralha
A viatura foi chegando devagar
E de repente, de repente resolveu me parar
Um dos caras saiu de lá de dentro
Já dizendo, ai compadre, cê perdeu
Se eu tiver que procurar cê tá fodido
Acho melhor cê ir deixando esse flagrante comigo
No início eram três, depois vieram mais quatro
Agora eram sete os samurais da extorsão
Vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso
Cheirando a minha mão
De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição
E eu ainda tentei argumentar
Mas, tapa na cara pra me desmoralizar
Tapa, tapa na cara pra mostra quem é que manda
Porque os cavalos corredores ainda estão na banca
Nesta cruzada de noite, encruzilhada
Arriscando a palavra democrata
Como um santo graal
Na mão errada dos hômi
Carregada em devoção
De geração em geração
Todos no bairro já conhecem essa lição
O cano do fuzil
Refletiu o lado ruim do Brasil
Nos olhos de quem quer
E quem me viu, único civil
Rodeado de soldados
Como seu eu fosse o culpado
No fundo querendo estar
A margem do seu pesadelo
Estar acima do biótipo suspeito
Nem que seja dentro de um carro importado
Com um salário suspeito
Endossando a impunidade
A procura de respeito
(Mas nesta hora) só tem (sangue quente)
Quem tem (costa quente, quente, quente)
Só costa quente, pois nem sempre é inteligente
(Peitar) peitar, peitar (um fardado alucinado)
Que te agride e ofende
Pra te levar alguns trocados
Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua
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Linha Vermelha
Linha Vermelha
Marcelo Falcão, Lauro Farias, Marcelo Lobato, Xandão
Fecharam a Linha Vermelha
Fecharam a Linha Amarela
Fecharam Avenida Brasil
Grajaú - Jacarepaguá
E também o Anil
Alto da Boavista, Vista
Chinesa, Paineras
mandaram esperar
Sentido Lagoa - Barra
Niemeyer
Tem que recomeçar
Tem que construir
Tem que avaliar
E ter hora pra agir
O tempo todo
O tempo todo agir
Vou me benzer
Vou orar
Vou agradecer
Vou me rezar
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Meu Santo tá Cansado
Meu Santo Tá Cansado
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Meu santo tá cansado
Não vou dizer que tenho saldo sobrando
Não tô devendo, mas a vida de homem é assim mesmo
Uma lona de freio aqui
Um motor fazendo um barulho ali
Não vou dizer que não menti
Meu santo tá cansado
Que sou todo direito
Sei a hora de ser covarde
Não pude ser tudo o que quis
Armei umas e outras
Tomei e dei volta
Como o drible sem objetivo
Que se perde além da linha lateral
Como drible sem objetivo
Mesmo sem carteira azul, sempre fui trabalhador
Às vezes a gente reza a cartilha e sai de brita
Às vezes a gente corre atrás do finado
Tem jogo (vai) que começa acabado
Já jurei
Com dedos cruzados, com dedos cruzados
Não tô aqui pra ser herói cuzão
Pra pagar de otário
Não tô aqui pra pagar pau pra fardinha azul
Aqui não tem cabeça baixa, também não tenho pressa
Não sou bebedor de água benta,
Se liga nessa, vai, ajoelha e reza
Meu sangue mais de uma vez subiu
Como o céu azul, meu céu azul de abril
Limpo, lavabo, brilha no céu mais bonito do espaço
Depois das águas de março
Meu santo tá cansado
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O Que Sobrou do Céu
O Que Sobrou Do Céu
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias
Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia
O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal
O chá pra curar essa azia
Um bom chá pra curar essa azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina
Pra gente ver
Por entre prédios e nós
O que sobrou do céu
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Rodo Cotidiano
Rodo Cotidiano
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, L.Farias, Xandão, Marcelo Lobato
Ô Ô Ô Ô Ô, my brother
A ideia lá comia solta
Subia a manga amarrotada social
No calor alumínio, nem caneta nem papel
Uma ideia fugia
Era o rodo cotidiano
Espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma quentinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada
Ô Ô Ô Ô Ô my brother
Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some é lá no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal
Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
Da minhoca de metal, é!
Como um concorde apressado cheio de força
Que voa, voa mais pesado que o ar
E o avião, o avião, o avião do trabalhador
Ô Ô Ô Ô Ô my brother
Espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma vidinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada
18
Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro
Todo Camburão Tem Um Pouco De Navio Negreiro
Marcelo Yuka, Falcão, Marcelo Lobato, Nelson Meirelles, Alexandre Menezes
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? Qual é negão?
O que que tá pegando?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a aids possui hierarquia
Na África a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
É mole de ver
Que todo camburão tem um pouco de navio negreiro (África)
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7 Vezes
7 Vezes
Marcos Lobato, Marcelo Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Deixa o mundo avisado de teu nome
Sete vezes escrevi o seu nome,
Num mundo assim bem grande
Sete vezes escrevi seu nome.
Será que é,
Fato necessário diz que é
Insistir e repetir que é, todas as portas abrir.
Castigo, será que é obrigatório,
Estudar pra ter, vocabulário é obrigatório.
Será que é preciso pensar,
Engraçado, andar pra trás, ao contrário.
Colorir todo de amor,
Inventar um novo jeito de brincar.
Saber perder alguma coisa pra sobreviver
20
O Salto
O Salto
C. Pombo, Marcelo Falcão, L. Farias, Marcelo Lobato, Xandão
As ondas de vaidade inundaram os vilarejos
E minha casa se foi como fome em banquete
Então sentei sobre as ruínas
E as dores como o ferro e a brasa e a pele
Ardiam como o fogo dos novos tempos
E regar as flores do deserto
E regar as flores com chuva de insetos
Mas se você ver em seu filho
Uma face sua e retinas de sorte
E um punhal reinar como o brilho do sol
O que farias tu
Se espatifaria ou viveria
O espírito santo
Aos jornais
Eu deixo meu sangue como capital
E às famílias o punhal
À corte eu deixo o sinal, sinal
21
Vapor Barato
Vapor Barato
Macalé, Waly Salmoão
Sim
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito
Mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Eu vou descendo
Por todas as ruas
E vou tomar aquele
Velho navio
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
E não me importa não
A minha Honey Baby
Baby! Baby
Honey Baby
Sim
Eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu estou indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Quem sabe!
Mas eu preciso
Eu preciso esquecê-la
A minha grande
A minha pequena
A minha imensa obsessão
A minha grande obsessão
A minha Honey Baby
Baby! Baby
Honey Baby
22
Súplica Cearense
Súplica Cearense
Gordurinha, Nelinho
Oh! Deus,
Perdoe esse pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair
Cair sem parar
Oh! Deus
Será que o senhor se zangou
E é só por isso que o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há
Oh! Senhor
Pedi pro sol se esconder um pouquinho
Pedi pra chover
Mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta
Uma planta no chão
Oh! Meu Deus
Se eu não rezei direito
A culpa é do sujeito
Desse pobre que nem sabe fazer a oração
Meu Deus
Perdoe encher meus olhos d'água
E ter-lhe pedido cheio de mágoa
Pro sol inclemente
Se arretirar, retirar
Desculpe, pedir a toda hora
Pra chegar o inverno e agora
O inferno queima o meu humilde Ceará
23
Me Deixa
Me Deixa
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Marcelo Lobato, Lauro Farias
Podem avisar, pode avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Pode avisar, podem avisar
Invente uma doença que me
Deixe em casa pra sonhar
Com o novo enredo outro dia de folia
Eu ia explodir, eu ia explodir
Mas eles não vão ver os meus pedaços por aí
Me deixa que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
Hoje eu desafio o mundo
Sem sair da minha casa
Hoje eu sou um homem mais sincero
E mais justo comigo
Podem os homens vir que
Não vão me abalar
Os cães farejam o medo,
Logo não vão me encontrar
Não se trata de coragem
Mas meus olhos estão distantes
Me camuflam na paisagem
Dando um tempo, tempo, tempo
Pra cantar
Me deixa, que hoje eu tô de
Bobeira, bobeira
24
Pescador de Ilusões
Pescador de Ilusões
Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Lauro Farias, Marcelo Lobato
Se meus joelhos
Não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé
Se por alguns
Segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol
Ainda assim estarei
Pronto pra comemorar
Se eu me tornar
Menos faminto
E curioso, curioso
O mar escuro
Trará o medo
Lado a lado
Com os corais
Mais coloridos
Valeu a pena
Êh! Êh!
Sou pescador de ilusões
Se eu ousar catar
Na superfície
De qualquer manhã
As palavras
De um livro
Sem final! Sem final!
25
Ilê Ayê (Que Bloco é Esse)
Ilê Ayê (Que Bloco é Esse?)
Paulinho Camafeu
Essa história começa mais ou menos assim
Que bloco é esse? Eu quero saber
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você)
Somo crioulo doido somos bem legal
Temos cabelo duro somos black power
Que bloco é esse? Eu quero saber
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você)
Branco, se você soubesse o valor que o preto tem
Tu tomava um banho de piche, branco e, ficava preto também
E não te ensino a minha malandragem
Nem tão pouco minha filosofia, porquê
Quem dá luz a cego é bengala branca em Santa Luzia aí aí Meu Deus
Vai
Essa história se resolve a bateria e voz